Os debates escolares e acadêmicos brasileiros

Um livro contém muito mais conhecimento do que podemos absorver na primeira leitura, principalmente, se somos iniciantes na leitura de livros e ao se viver num país onde há uma grande preguiça para ler livros e um analfabetismo funcional muito presente no mundo acadêmico.

O livro necessita, no mínimo, (para um leitor inexperiente) de 03 leituras (feitas independentemente):
  1.  A leitura que define o todo do livro e qual o seu problema;
  2.  A leitura que analisa as parte em conjunto ao todo;
  3.  A leitura que realmente irá fazer alguma crítica, afinal, quando estamos na última fase, o livro foi melhor compreendido.

Precisamos PRIMEIRO absorver bem o conteúdo para, depois, tentarmos criticá-lo, o que vejo no dia-a-dia parece muito diferente. Quando uma pessoa lê um romance pela primeira vez, acredita que entendeu e, PRINCIPALMENTE, deseja debatê-lo, tenha cuidado com esse tipo de pessoa, quanto o que será dito. O mesmo acontece com os debates de redes sociais e em roda de amigos:

  1.  A informação debatida é exposta de maneira bem resumitiva (algumas vezes caricaturizada);
  2. começa a citação de diversos pensadores renomados;
  3.  A conversa incendeia;
  4.  Os debatentes começam a divergir e brigar entre si;
  5.  Como não conseguem direcionar o tema às últimas consequências (pela falta de domínio, pela gritaria), cessam a conversa e partem pensando estar mais atualizado e superior ao outro. 
Os realizadores desses debates não leem seus livros da maneira mais sistemática (como a descrita acima). Logo, as conversas também serão péssimas. Além do mais, perceberam como o debate de bar quanto o debate feito pelos professores em sala de aula, quando os alunos não dominam o conteúdo tratado, não divergem tanto?
Na melhor (ou pior) das hipóteses, o vencedor do debate doutrinará os demais, pois todos os participantes não possuem o conhecimento básico do conteúdo. A doutrinação seria o fim desse modo de ensino-debate, consequentemente a formação da inteligentsia repetidora de discursos.

O melhor método de combater essa paranoia intelectual é muito simples:
  1. Seja humilde e responda que não compreende efetivamente o conteúdo e por isso nada poderá debater;
  2. Passe longos anos estudando e lendo vários livros (pelo menos, no mínimo mesmo, 40 ao ano);
  3. Com uma boa carga de conhecimento teórico e prático poderá iniciar o debate sobre os temas que você domina com quem também estudou;
Informação complementar: A boa consequência da literatura clássica
Informação complementar: Machado de Assis: O homem que se criou
Informação complementar: A esquerda analfabeta funcional

A humildade é essencial tanto para aprender quanto na transmissão do conhecimento. Sejamos pessoas humildes, consequentemente, estudantes humildes e a nossa mente se abrirá para o verdadeiro universo do conhecimento.

Para mais informações sobre a situação dos futuros intelectuais confira estas notícias:
http://www.folhapolitica.org/2013/05/educacao-75-dos-brasileiros-nao-sabem.html

http://www.folhapolitica.org/2014/02/pesquisador-conclui-que-mais-da-metade.html

http://oglobo.globo.com/sociedade/educacao/brasileiro-le-em-media-quatro-livros-por-ano-revela-pesquisa-4436899

http://www.ibope.com.br/pt-br/noticias/Paginas/Inaf-aponta-o-perfil-do-analfabeto-funcional-brasileiro.aspx
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Autor Roberto Tinée

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